sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sonetos



O que é um Soneto?

Soneto (sonetto em italiano, pequena canção ou, literalmente, pequeno som) é um poema de forma fixa, composto por 14 versos.

Ao que tudo indica, o soneto - do italiano sonetto, pequena canção ou, literalmente, pequeno som - foi criado no começo do século XIII, na Sicília, onde era cantado na corte de Frederico II (imagem ao lado) da mesma forma que as tradicionais baladas provençais. Alguns atribuem a Jacopo (Giacomo) Notaro, um poeta siciliano e imperial de Frederico, a invenção do soneto, que surgiu como uma espécie de canção ou de letra escrita para música, possuindo uma oitava e dois tercetos, com melodias diferentes.

O número de linhas e a disposição das rimas permaneceu variável até que um poeta de Santa Firmina, Guittone D'Arezzo, tornou-se o primeiro a adotar e aderir definitivamente àquilo que seria reconhecido como a melhor forma de expressão de uma emoção isolada, pensamento ou idéia: o soneto. Durante o século XIII, Fra Guittone, como era conhecido, criou o soneto guitoniano, padronizado, cujo estilo foi empregado por Petrarca e Dante Aligheri, com pequenas variações. Tais sonetos são obras marcantes, se considerarmos as circunstâncias em que eles surgiram.

Coube ao fiorentino Francesco Petrarca aperfeiçoar a estrutura poética iniciada na Sicília, difundindo-a por toda a Europa em suas viagens. Sua obra engloba 317 sonetos contidos no "Il Canzoniere", a coletânea de poesia que exerceu inflência sobre toda a literatura ocidental. As melhores poesias desse livro são dedicadas a Laura de Novaes, por quem possuía um amor platônico. Destacam-se os recursos metafóricos e o lirismo erótico dos sonetos.

Dante Alighieri, o autor da consagrada "A Divina Comédia", e também um seguidor de Guittone, em sua infância já compunha sonetos amorosos. Seu amor impossível por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari) foi imortalizado em vários sonetos em "Vita Nuova", seu primeiro trabalho literário de grande importância.

Anos se passaram até que dois ícones da literatura mundial, um inglês e um português, deram ao soneto, cada um ao seu modo, o toque de mestre: William Shakespeare e Luis de Camões.

Camões freqüentou a nobreza em Portugal, mas foi exilado por suas posições políticas. Passou alguns anos na prisão, de onde saiu com "Os lusíadas", uma obra que o colocou entre os maiores poetas de todos os tempos. Apesar disso, morreu pobre. Escreveu diversos sonetos, tendo o amor como tema principal.

Shakespeare, além de teatrólogo, desenvolveu uma habilidade única na poesia. O seu soneto, o soneto inglês, é composto por três quartetos e um dístico, diferente da composição original de Petrarca. O mais célebre dos escritores ingleses escreveu diversos poemas, alguns deles recheados de metáforas. Curiosamente, sua obra Romeu e Julieta destaca um soneto, bem no início do diálogo entre os seus protagonistas...

Desde então, o soneto adquiriu importância ao redor do mundo, tornando-se a melhor representação da poesia lírica. Alguns casos são notáveis: o poeta russo Aleksandr Pushkin compôs Eugene Onegin, um poema repleto de sonetos adotado por Tchaikovsky para compor uma de suas óperas; o francês Charles Baudelaire ajudou a divulgar os versos alexandrinos em Les Fleurs du Mal. Até Vivaldi usou-se de sonetos.

Sonetos no Brasil

Gregório de Mattos foi um dos primeiros sonetistas em terras brasileiras. Nascido na Bahia, revoltou-se contra o governo e a Igreja e passou a escrever obras satíricas, algumas de carácter pornográfico. Era conhecido como "Boca do Inferno" por seus versos e chegou a ser denunciado à Inquisição. Sua obra "Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado" é uma das que mais aparecem nas provas de vestibular.

Quando o arcadismo apareceu no Brasil, quase ao mesmo tempo que em Portugal, um de seus representantes foi o mineiro Cláudio Manuel da Costa, que em Vila Rica (Ouro Preto) juntou-se a Tomás Antônio Gonzaga(imagem ao lado). Gonzaga foi outro sonetista de grande importância e autor da obra que o tornou o mais famoso dos árcades brasileiros: "Marília de Dirceu". Ambos foram presos acusados de terem participado da Conjuração Mineira.

O romantismo em seguida viria a conhecer diversos imortais da poesia. Compuseram sonetos Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, Augusto dos Anjos, Castro Alves entre outros. Suas obras ilustram as três fases da era romântica, período cuja importância literária promoveu uma verdadeira revolução na cultura brasileira.

Tomás Antônio Gonzaga - Marília de Dirceu:






como fazer um soneto:

O soneto perfeito ou chamado clássico deve ser feito sob regras: métrica, ritmo e rima. Como se sabe, é formado por 14 versos dispostos em quatro estrofes: dois quartetos ( ou quadras ) e dois tercetos ( ou terças).
Segundo a métrica, cada um dos 14 versos deve ser decassílabo na quantidade das sílabas fonéticas, isto é, dez sílabas.
Segundo a rima, os quartetos devem ter as rimas em número de duas e amarradas. Nos tercetos, deve haver também amarração entre as rimas, porém com maior variação.
Segundo o ritmo, deve haver cadência no soar das sílabas em cada verso. São as chamadas sílabas tônicas. Por ex. são conhecidos os versos usados por Camões em "Os Lusíadas". Em tais decassílabos, as tônicas caem na sexta e na décima.
Há também os sonetos alexandrinos. Sem entrar em detalhes, cada verso alexandrino deve ter doze sílabas.

Fazer soneto

O soneto é tão pouco, simplório:
Se notório perfaz-se dos versos,
Qual inverso que o faz oratório,
Seu velório é mouco, é perverso,

Controverso em medida, aguarrás,
Que detrás mea-culpa diz, louco,
Quase rouco, em desculpa, aliás,
Inda faz, à escondida, tampouco,

Dito, apouco a loucura da culpa.
Não desculpa o intento da brida,
Se na lida, argumento o esculpa,

É quem culpa a estrutura a vida:
Não valida um versar de lamento,
Só o momento de amar em cloreto.



Utilizei rimas:

ABC
CDE
EDC
CBC

CFD
DGB
BGD
DFD

DHG
GIF
FIG

GHF
FJI
IJA

OU seja, um encadeamento nas rimas internas. Todas os versos possuem nove sílabas, sendo as Tônicas nas 3ª, 6ª e 9ª. Todos os versos também possuem o mesmo número de caracteres.

Não é do meu feitio contar o que fiz em um soneto. O que ocorre é o seguinte: soneto é soneto é pronto. As medidas estão lá, para serem seguidas. Mas o que importa de fato, são os ingredientes que você vai colocar.

Para quem credita que não há criatividade no soneto, tente fazê-lo, seguindo suas regras que são seculares.

Quem não o quiser, exerça a liberdade de fazer versos livres. Só não chame versos livres de soneto, pois estará desrespeitando o verso livre e o soneto em si.

SEGREDOS DE UM SONETO


Seja em dísticos ou tercetos pós-quartetos,
Tanto o clímax quanto a emenda de um soneto,
Se sensíveis aos segredos do poeta,
Me animam em seus segredos de poema.

Seja em ditos de amor ou de desejos,
Em lascívia ou platônicos lampejos,
Tanto o mítico quanto a métrica de um poema
Não limitam-me o espírito do poeta;

Me ensinam que até mesmo a gramática
Dá licença a boa prática do lirismo
Como sítio, sem receio dos abismos,

Em que a forma muitas vezes se conforma,
Impedindo que inspire-se a razão
Que movimenta a mais profunda inspiração.

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